O ANTICRISTO E O UNIVERSO PSICOLÓGICO PERTURBADO DO CINEMA DE LARS VON TRIER

Posted Outubro 14, 2009 by Wagner Pinheiro Pereira
Categories: Cinema

O espectador que pretende assistir um filme do cineasta dinamarquês Lars Von Trier tem de estar preparado para entrar em universo psicológico perturbado e doentil, e enfrentar os seus efeitos colaterais após o término do filme. Os filmes deste cineasta costumam ser taxados de polêmicos e provocativos. Na verdade, eles vão bem além disso…

Lars Von Trier realiza um cinema muito diferente do estilo austero vindo da Dinamarca dos tempos de Carl Theodor Dreyer, tendo transitado pela produção de curtas-metragens, filmes publicitários, videoclipes musicais e telefilmes. Seu talento foi revelado no Festival de Cannes com o inusitado The Element of Crime (1985), trabalho que o transformou no queridinho dos festivais. Seu comportamento excêntrico (não andar de avião, fugir das entrevistas, raspar a cabeça, brigar com atores, inventar mentiras), começou a transparecer em suas obras posteriores. Em Europa (1991) denunciou a eterna possibilidade da Alemanha (e da Europa) voltar a se render aos “encantos” do Nazismo. Já em Ondas do Destino (1996), usou amplamente a câmera na mão, fazendo movimentos de provocar enjôo. Seria, no entanto, com a liderança do Movimento Dogma 95, que o cineasta se tornaria o centro das atenções do meio cinematográfico, ao propor os princípios fechados do Dogma: 1) Filmar sempre em locação, sem cenários; 2) Usar sempre o som ambiente, sem inserção de trilha sonora, nem pós-produção; 3) A câmera deve estar sempre na mão, sem tripé; 4) O filme deve ser colorido e em 35mm; 5) Não é permitida a utilização de iluminação artificial, nem de filtros ou efeitos ópticos; 6) Não são permitidas cenas de ação superficial, como violência gratuita, armas e etc; 7) O filme não deve ter corte de tempo, flashback, ou qualquer sugestão de subversão da ordem temporal. Ou seja, é tudo aqui e agora; 8) O diretor não deve ser creditado.

Desde o Movimento Dogma 95 em que apresentou ao mundo Os Idiotas (1998) , passando por Dançando no Escuro (2000) e Dogville (2003), Lars Von Trier tem investido em trazer uma sensação de mal estar para os espectadores.  O que não é algo negativo, mas sim necessário. Voltando-se contra o cinema hollywoodiano e o cinema autoral europeu, o cineasta acredita que uma “terapia de choque” seja necessária para tirar os espectadores do estado letárgico que se encontram, devido ao entretenimento alienante de Hollywood e ao intelectualismo do cinema autoral europeu. Ao propor situações cotidianas e contemporâneas, Lars Von Trier tira as máscaras da sociedade e mostra a face oculta das pessoas. Em Os Idiotas retrata um grupo de burgueses que, inicialmente  e por brincadeira, se passam por “idiotas” (termo pejorativo e politicamente incorreto para designar os doentes mentais) até que são colocados frente a frente com as pessoas reais que tem essa doença. A partir daí o grupo começa a se desintegrar, já que depois de criticarem os “outros” por se sentirem incomodados com a presença dos “idiotas” (antes repreentados por eles), agora enfrentam os dilemas e preconceitos, não querendo encarnar na vida real os papéis que representaram na brincadeira, com medo de perderem tudo o que possuem (estabilidade familiar, profissional, financeira e social). É com este filme que o universo psicológico de Lars Von Trier começa a se delinear de forma mais profunda em sua filmografia.

O turbilhão de sensações e sentimentos, que vão da emoção, passando pelo desconforto até a postura dos nervos a flor da pele, antes de chegar ao público é exercitada sobre os atores, que passam pelos estranhos métodos de filmagem do cineasta. A partir de Dançando no Escuro, um filme musical americano, bem diferente dos padrões clássicos hollywoodianos, Lars Von Trier leva quase a loucura a atriz/cantora Björk, que não aguentando o stress abandona por um tempo os sets de filmagem. Esta relação de amor e ódio que o cineasta desenvolve com os seus atores transparece na comovente história da protagonista cega Selma.

Dogville

Dogville

Os picos emocionais e a proximidade de um estado de loucura ficam ainda mais acentuados com Dogville, um filme ambientado nos Estados Unidos da década de 1930, embora filmado num gélido e fechado estúdio da Suécia. Sem nunca ter pisado nos EUA, da mesma forma que os estúdios de Hollywood jamais sentiram a necessidade de filmar nos países em que ambientavam suas histórias, Lars Von Trier nos apresenta um manifesto antiamericano, que mostra o outro lado – nada simpático e alegre - do american way of life. Mais uma vez investindo sua trama em desmascarar a farsa e hipocrisia da sociedade (no caso a americana em tempos de crise econômica), Trier apresenta como uma cidade interiorana, que configura-se num modelo exemplar da sociedade americana, violenta – de todas as formas físicas e mentais possíveis – a personagem interpretada, de forma magistral, por Nicole Kidmann. Aliás, a própria atriz, em determinado momento das filmagens (conforme registrado no documentário Dogville Confessions)  pede para o cineasta parar de investir em tantas cenas de abuso sexual, pois além delas poderem estragar a mensagem do filme, nem ela e - certamente - nem o público aguentariam mais tanto sofrimento e tortura psicológica. Todos os atores ressaltaram que aquela experiência fora infernal e que certamente modificaria as suas vidas. Da mesma forma que Björk, Nicole Kidmann e Lauren Bacall provavelmente não voltarão a atuar nos filmes do cineasta dinamarquês.

Mas após recuperar brevemente a trajetória e filmografia do cineasta, o que esperar, então, de O AntiCristo? Indubitavelmente, não é um filme de entretenimento para ver com toda a família ou com namorada, para não correr o risco de alguém xingá-lo por ter passado por uma experiência de tortura psicológica.  O filme configura-se como um terror psicológico que vai, a partir do sexo e da nudez, chocar o espectador.  Mas, as pessoas rapidamente podem se perguntar: como o sexo e a nudez podem trazer tanto incômodo, se, no cinema pós-modernos, estes são elementos recorrentes para alavancar a bilheteria de um filme?

A partir do visionamento do prólogo do filme, filmado em preto e branco, com uma filmagem em câmera lenta e trilha sonora que eleva a alma, somos apresentados a uma cena de relação amorosa bastante tórrida de um jovem casal, que terá como desfecho uma tragédia: aproveitando este momento de descuido dos pais, o filho foge do cercadinho e vai até a janela, onde acaba caindo acidentalmente. Ou seja, o sexo retratado de forma poética, repreentando o estado de felicidade do casal, se transformará em uma doença física e psicológica, que castiga os pais com a morte do filho. Dissociado de seu valor positivo e excitante, o sexo será na vida deste casal, interpretado por Charlotte Gainsbourg e Willem Dafoe, uma espécie de maldição marcada por muitos atos de ódio e de violência.

A agonia do casal em O AntiCristo

A agonia do casal em O AntiCristo

O ingrediente de terror psicológico aumentará quando o marido, que é um psiquiatra, resolve cuidar ele próprio da angústia e da depressão da esposa após a perda do filho. Enquanto homem, ele se mantém frio diante da tragédia, enquanto que a esposa, toda emotiva e atormetada, se culpa pelo trágico desfecho. Será na floresta, retratada de forma escura e assombrosa, o local onde onde terror residirá em suas piores formas e manifestações (animais em decomposição, figuras distorcidas e maléficas), oprimindo as personagens e criando um estado de permanente tensão face ao desconhecido. As forças ocultas da natureza modelam o estranho comportamento da esposa, que, cada vez que lembra que o seu marido é o psiquiatra e a estadia na casa da floresta representa uma tentativa de cura, começa a ter ações descontroladas, somente acalmadas com ataques sexuais e físicos ao marido, realizados como forma de apaziguar o seu coração e angústia, assim como para punir o marido. Muitos dos métodos de tortura serão recuperados das experiências realizadas durante a Idade Média, tema avidamente estudado pela esposa para a sua tese de doutoramento, nunca concluída. Por isso, as forças ocultas e bruxaria, certificadas pela História, ganham um significado tão especial na condução da trama.

O AntiCristo

O AntiCristo

Ao final inesperado do filme, os espectadores são deixados num estado de transe, atônitos e perplexos, incapazes de compreender imediatamente o real significado da intensa experiência vivenciada durante a exibição do filme.  O único alívio é que o filme terminou. Mas e o depois… a única certeza: nunca mais seremos os mesmos. 

Lars Von Trier e Charlotte Gainsborg durante as filmagens de O AntiCristo

Lars Von Trier e Charlotte Gainsborg durante as filmagens de O AntiCristo

O SENSACIONALISMO NA TELEVISÃO E NA IMPRENSA ESCRITA: O “MUNDO CÃO” RETRATADO PELO “AQUI AGORA” E A IRONIA DAS NOTÍCIAS DO “MEIA-HORA”

Posted Outubro 14, 2009 by Wagner Pinheiro Pereira
Categories: Imprensa, Televisão

A imprensa escrita e televisiva, por diversas vezes, tem investido no sensacionalismo para alavancar o número de vendagens ou de audiência. Na sociedade pós-moderna as notícias escandalosas tem atraído a um público fiel, ávido por consumir notícias trágicas e fofocas que coloquem figuras públicas em situações desconfortáveis ou humilhantes. Se essas notícias vierem acompanhadas de uma fotografia ou filmagem comprometedora, clicada/filmada por algum paparazzi ou cinegrafista amador, o material pode render muito dinheiro (para os órgãos de imprensa) e muito falatório (para os leitores/espectadores).

 No caso brasileiro, é possível perceber como o riso pode funcionar como uma válvula de escape, ou seja, como uma cartase em que o público sofrido, humilhado e vivendo na miséria, sente uma alegria vingativa ao ver que os ricos/famosos estão enfrentando uma situação complicada. Quando o alvo do sensacionalismo são também pessoas pobres, o resultado é o mesmo. Não deu para compreender? É muito simples: quando se trata de iguais, se aquele indíviduo estiver numa situação pior do que o outro (que lê a notícia ou assiste a reportagem pela televisão), este último vai se sentir reconfortado com o fato de que alguém está em pior estado do que ele. Para tornar ainda mais excitante essas notícias, elas precisam trazer muito sangue proveniente de assassinatos brutais, estupros, sequestros, roubos, espancamentos, etc. Na imprensa escrita estes incredientes já estão presentes há muito tempo. No caso do jornalismo sensacionalista na televisão é possível pontuar um marco: o programa  Aqui Agora, que foi ao ar pelo SBT em maio de 1991. Este programa teve vários apresentadores e fases distintas. A troca de horários também foi uma constante , chegando até a ser vespertino e tendo duas edições, até ser retirado do ar em 1997 (vale lembrar que teve um revival fracassado no ano passado).

Abertura do programa jornalístico "Aqui Agora"

Abertura do programa jornalístico "Aqui Agora"

Os âncoras do programa "Aqui Agora"

Os âncoras do programa "Aqui Agora"

Gil Gomes, o cronista policial do telejornal "Aqui Agora"

Gil Gomes, o cronista policial do telejornal "Aqui Agora"

Apesar da baixaria, somos obrigados a concordar com o fato de que o Aqui Agora revolucionou a linguagem do jornalismo brasileiro, com o slogan ‘um jornal vibrante, que mostra na TV a vida como ela é’ e com a chamada ‘câmera nervosa’ que acompanhava perseguições policiais. Algo inédito, até então, pois anteriormente o jornalismo televisivo prezava as notícias oficiais, em nível nacional ou estadual. Já o Aqui Agora buscava valorizar o imediatismo da imagem do acontecimento, e retratar o cotidiano violento da cidade de São Paulo, valorizando notícias locais (perseguições bairro a bairro). Vale lembrar que é neste período que a Rede Globo perde audiência também no terreno da teledramaturgia com a novela Pantanal, exibida na instinta Rede Manchete. 

O programa teve vários apresentadores entre eles Patrícia Godoy, Silvia Garcia, Ivo Morganti, Christina Rocha, Gióia Jr. e Liliane Ventura, além do já falecido Luís Lopes Corrêa e do “casal 20″ do jornalismo na década de 1980, Eliakin Araújo e Leila Cordeiro. Entre os comentaristas estavam Maguila, Eneás, Omar di Piero, Leão Lobo, Nélson Rubens e Sonia Abrão. Na previsão do tempo, o irreverente Felizberto Duarte, o Feliz. Outras figuras proeminentes do telejornal foram o atual deputado Celso Russomano em “defesa do consumidor”, Gil Gomes com as crônicas policiais e Jacinto Figueira Jr. (o Homem do Sapato Branco) com os ‘causos’ do cotidiano. Apesar de ser considerado pioneiro no retrato do ‘mundo-cão’ na TV, o Aqui Agora serviu e ainda serve de inspiração para outros programas, que até hoje estão no ar. Sônia Abrão (alia jornalismo a fofocas de famosos e espetaculariza a violência e o drama), Marcia Goldschmidt (realiza um talk show, que transforma os casos familiares em boletins de ocorrência policiais, onde os culpados são julgados pela apresentadora e seu júri popular, o público) , Ratinho (investe no filão popular dos testes de DNA) e Datena (o “justiceiro” que assume a figura paternal de proteção aos desfavorecidos)  são alguns de seus díscipulos. Todos eles trazem um elemento adicional: neste “mundo cão”, os pobres e indefesos precisam de um “Chapolim Colorado” para salvá-los. Na falta deste, restam figuras como Datena, Marcia Goldshmidt (a psicóloga formada pela vida e dedicada aos barracos familiares), que a partir de seus ares superiores e autoritários, prometem defender todos os oprimidos. Como diria Marcia Goldshmidt: “Mexeu com você, mexeu comigo”. Já Datena, o homem sem medo, exalta a idéia de que lugar de bandido é na cadeia (idéia correta, logicamente), mas faz todo um espetáculo, com os crimes cometidos pelos bandidos. Afinal, para figurar no programa dele é preciso que o bandido tenha cometido crimes barbáros e cruéis. Quanto pior, melhor para o Datena e seu público ansioso por fazer justiça com as próprias mãos. 

Após um período de ausência, a loira volta repaginada e alavanca a audiência da Band.

Após um período de ausência, a loira volta repaginada e alavanca a audiência da Band.

Marcia lidera o povo para clamar por justiça na abertura de seu programa Marcia (BAND). "Mexeu com você, mexeu comigo", ressalta a apresentadora.

Marcia lidera o povo para clamar por justiça na abertura de seu programa Marcia (BAND). "Mexeu com você, mexeu comigo", ressalta a apresentadora.

Datena e a notícia sensacionalista

Datena e a notícia sensacionalista

Datena promove a interactividade com o público: a tragédia como espetáculo

Datena promove a interactividade com o público: a tragédia como espetáculo

Para que possamos perceber o quanto isso é ridículo e não é um serviço de informação/utilidade pública, como esses apresentadores adoram afirmar, vale a pena recuperar o caso da imprensa escrita através do jornal carioca Meia-Hora. Baseado nas manchetes sensacionalistas desse jornal, um internauta procurou imaginar como que com a queda da exigência de diploma para jornalista, o sonho de todo pseudo-humorista ficou mais próximo: escrever as manchetes do MEIA-HORA. E ele nos faz a seguinte indagação: como importantes acontecimentos  históricos teriam sido noticiados por este célebre tablóide carioca? Vejamos…

PASSARAM O RODO
Bonde dos Aliados invade a França na marra e bota a alemãozada pra correr.
(Desembarque na Normandia, 06/06/1944)

PEDIU PRA SAIR
Monstro alemão que torrava suas vítimas é encurralado pelos vermelhos,
fica com medinho e se mata.
(Morte de Hitler, 30/04/1945)

PERDEU A CABEÇA
Presidente leva balaço em desfile e viúva cata os miolos espalhados no capô do carro.
(Assassinato de Kennedy, 22/11/1963)

ÁGUA !!!
Piloto zarolho não enxerga iceberg gigante
e afunda o maior transatlântico do mundo. Mortos já passam de 800.
(Naufrágio do RMS Titanic, 14/04/1912)

BOBEOU A GENTE PIMBA
Americanos dão créu nos russos e fazem moonwalk na lua.
(Chegada do homem à Lua, 20/07/1969)

PEDIU PRA SAIR
Monstro alemão que torrava suas vítimas é encurralado pelos vermelhos, fica com medinho e se mata. (Morte de Hitler, 30/04/1945)

PERDEU A CABEÇA
Presidente leva balaço em desfile e viúva cata os miolos espalhados no capô do carro. (Assassinato de Kennedy, 22/11/1963)

CADA UM COM SEU QUADRADO
Muro comunista é derrubado em Berlim e alemães guardam os tijolos de lembrança. (Queda do muro de Berlim, 09/11/1989)

FILHO DO HOMEM
Judeu maluco que se diz filho de Deus transforma água em vinho e salva o dono da festa de linchamento. (Primeiro milagre de Cristo, 13 d.C.)

BABADO NA CORTE INGLESA
Rei safadão casa com a amante e manda o Papa pro inferno.
(Criação da Igreja Anglicana por Henrique VIII, 1534)

QUEM TEM, TEM MEDO
Príncipe esquisitão, rainha maluca e corte portuga chegam ao Brasil fugindo do filho do Cão.(Chegada da corte portuguesa ao Brasil,22/01/1808)

PERDEU PLAYBOY
Bonde dos portugas toma terra dos índios e é agora o novo dono do pedaço. (Descoberta do Brasil, 22/04/1500)

DESCENDO ATE O CHÃO
Quebradeira geral na bolsa de NY faz banqueiros rebolarem sem bambolê. (Crise de 1929)

TÁ TUDO DOMINADO
Bando enfurecido se rebela, degola rei e rainha e toma o poder na França. (Revolução Francesa, 1789)

MEU CORAÇÃO AMANHECEU PEGANDO FOGO…FOGO…FOGO…
Bruxa maluca que dizia conversar com Deus é queimada viva e agora vai bater papo com o capeta.(Condenação de Joana d’Arc à fogueira, 1431)

QUEM FALOU QUE A BOCA É TUA RAPÁ?
Americanos desafiam o Rei e botam a inglesada pra correr. (Independência americana, 4/07/1776)

COM O RABINHO ENTRE AS PERNAS
Vietcongues frenéticos dão sacode nos yankees que tentaram tomar a boca de Hanói. (Fim da Guerra do Vietnã, 1975)

 Referência: Texto retirado do site: http://www.noticiacretina.com/2009/09/historia-segundo-o-meia-hora.html

Realmente para discutir o péssimo gosto de um público que não consegue elevar (a0 menos culturalmente) o seu padrão social, por culpa das péssimas condições de vida da sociedade brasileira, somente recuperando a alegria através da ironia deste internauta. Apesar da brincadeira, para aliviar o assunto pesado e triste (utilizando o recurso do humor, tão bem valorizado pelo público brasileiro – afinal tudo aqui acaba em pizza), ao finalizar este artigo surge uma questão gritante: Já imaginaram se o ensino de História fosse apresentado da mesma forma sensacionalista? Provavelmente, as crianças teriam aguçados seus interesses por conhecer mais a fundo os acontecimentos históricos (já que estes seriam mais palatáveis) e não achariam a disciplina tão chata e enfadonha. Uma triste conclusão!

BASTARDOS INGLÓRIOS: A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL DE QUENTIN TARANTINO

Posted Outubro 13, 2009 by Wagner Pinheiro Pereira
Categories: Cinema

A caminho do meeting da comunidade A-HA em São Paulo encontrei uma amiga da faculdade, recém-saída do cinema, que ao apresentar-me para sua amiga, disse que eu era especialista em cinema nazista. Logo em seguida, enquanto especialista, fui indagado se já havia visto o novo filme de Quentin Tarantino: Bastardos Inglórios e o que achara dele. Por coincidência, naquela semana mesmo, ao trabalhar com o cinema pós-moderno de Quentin Tarantino, em especial sua obra-prima Pulp Fiction – Tempo de Violência (Pulp Fiction, EUA, 1994), havia traçado alguns paralelos entre ambas as produções. No entanto, considero que Quentin Tarantino não inovou o seu estilo de fazer cinema, mantendo a mesma fórmula – de sucesso – apresentada em Pulp Fiction.

Antes mesmo de tecer meus comentários a minha amiga e sua companheira, elas falaram euforicamente da experiência de ter assistido aquele filme. Fato compreensível, tendo-se em vista de serem judias e sentirem-se vingadas. A vingança é um ponto importante para compreender este filme. O próprio Brad Pitt havia dito que a sua interpretação e o filme eram superiores a performance de Tom Cruise e ao filme Operação Valquíria (Valkyre, dir. Bryan Singer, EUA/Alemanha, 2008). No caso desta outra produção, o Führer Adolf Hitler triunfa, conseguindo sobreviver ao atentado dos opositores militares do regime nazista. Embora corretamente histórico, isso ficou travado na garganta do público. Agora, naquele filme, o que não salvou mesmo foi a precária interpretação do coronel Claus von Stauffenberg, vivido por  Tom Cruise.

Após esta conversa voltei a repensar a minha posição apática frente ao filme. Em primeiro lugar, deve se destacar que é um filme de guerra bem diferente da imensa quantidade de produções hollywoodianas dedicadas ao tema da Segunda Guerra Mundial. Se por um lado temos o protótipo (amplamente divulgado por Hollywood) do nazista perverso, representado pelo Coronel Hans Lada ( interpretado de forma magistral por Cristoph Waltz), em especial na excelente sequência incial do filme em que “visita” uma família de camponeses franceses, para descobrir se ela escondia judeus, em plena Segunda Guerra Mundial; por outro lado inova ao mostrar que os soldados americanos não foram sempre os mocinhos que tinham a única missão de salvar o mundo. No filme, Tarantino centra a ação num grupo  liderado por Aldo Raine (Brad Pitt), que sente prazer em prender, matar e marcar (com o símbolo da suástica na testa, para sempre serem identificados enquanto adeptos de Hitler) soldados nazistas. Este grupo clandestino, tem métodos bastante diferentes da maioria dos soldados americanos, e por isso mesmo, são temidos pelo exército nazista.

Em linhas gerais, o filme recupera uma série de recursos cinematográficos popularizados por Tarantino, principalmente a partir de Pulp Fiction, tais como: montagem do filme a partir de capítulos, com títulos dos temas que serão apresentados, e disponibilizados fora de ordem cronológica, brincando com diferentes pontos de vistas e perspectivas para introduzir as personagens no contexto, uma trilha sonora pop distante do estilo musical do período histórico retratado, e uma série de flashbacks que  recapitulam determinadas sequências e sentidos, confundindo o público e quebrando a já fragmentada  linearidade dentro de cada capítulo do filme. Devido ao já notório conhecimento enciclopédico da história da cultura audiovisual que o cinéfilo Tarantino possui, o filme é repleto de referências e imagens clichês, pertencentes a outros gêneros cinematográficos, além de um grau de violência – por vezes gratuita – acentuada numa montagem que lembra a estética de videoclipe.

Dentro desta grande homenagem ao cinema que Tarantino produz em Bastardos Inglórios, temos mais uma supresa, que deixa o público em estado de choque. Até metade do filme, acreditamos que se trata de uma reconstituição histórica fidedigna, ao estilo de Operação Valquíria. Mas Tarantino, traz para a cena, o Ministro da Propaganda Nazista, o Dr. Joseph Goebbels, que vem a Paris para estrear um novo filme de propaganda nazista, que exaltaria um dos grandes heróis de guerra. Para tornar ainda mais interessante a história, Adolf Hitler e os mais importantes líderes do regime nazista se reuniram na estréia do filme num cinema francês, dirigido por uma judia disfraçada. Neste momento temos dois filmes, o de Tarantino que assistimos e o que os nazistas assistem dentro da sala de cinema. Ambos mostram as mesmas imagens de crueldade e barbaridade. Neste novo ”Dia D”, os crimes dos carrascos nazistas são igualados aos dos judeus “sanguinários”, ávidos por colocar em prática um plano para exterminar o Führer Adolf Hitler, Joseph Goebbels, Hermann Göring e demais hierarcas do regime nazista.  [SPOILER] O plano dá certo e se tivesse acontecido realmente teria poupado muitas mortes de inocentes no Holocausto e na Segunda Guerra Mundial. No entanto, a sensação de vingança é incômoda, pois os heróis realizam os mesmos crimes e atrocidades que os vilões nazistas. A vitória contra o nazi-fascismo é conquistada, pagando-se com a mesma moeda. O tom de violência “videoclíptica” e ironia do cineasta prevalecem. Por tudo isso, o filme cumpre, com eficácia, duas funções: nos dá uma sensação de vingança em queimar todos os líderes nazistas de uma vez, como eles fizeram com 6 milhões de judeus e outras vítimas do Holocausto. Por outro lado, realiza uma interessante crítica ao cinema de guerra produzido por Hollywood, onde os heróis da história não são mais os simpáticos e benevolentes soldados americanos, mas sim um grupo de bastardos inglórios, que seriam os responsáveis por libertar o mundo do nazi-fascismo na realidade virtual criada por Quentin Tarantino. Tudo não passa de uma grande provocação de Quentin Tarantino e Brad Pitt frente a visão maniqueísta de mundo, perpetrada por Hollywood e aceita pelos espectadores. E aí, os espectadores vão encarar?

Estariam Brad Pitt e Quentin Tarantino provocando o público?

Estariam Brad Pitt e Quentin Tarantino provocando o público?

NO MEETING DA COMUNIDADE A-HA EM SÃO PAULO

Posted Outubro 12, 2009 by Wagner Pinheiro Pereira
Categories: Eventos, Música, Shows

Neste final de semana minha amiga Marcia me convidou para participar do primeiro meeting da comunidade A-HA em São Paulo. Confesso que nunca fora um super fã da banda norueguesa. Basicamente conhecia apenas o revolucionário videoclipe “Take On Me”, do álbum Hunting High and Low (1985), e algumas outras músicas que curtia, mas não as associava ao nome da banda.

A-HA

A-HA

Ao trabalhar nos últimos anos com a temática da relação cinema-televisão-música, o videoclipe “Take On Me” chamou muito a minha atenção. A sua história, por sinal, é bem curiosa:  Segundo informações de fãs da banda e de referências de sites da internet, “Take on Me” foi a primeira canção que Morten Harket ouviu Magne Furuholmen e Paul Waaktaar-Savoy tocarem, e nessa época ainda chamava-se “Lesson One”.  O primeiro lançamento da canção em 1984 vendeu somente 300 cópias, mas após ter sido retrabalhada com o produtor Alan Tarney um ano depois, a canção vendeu 1,5 milhões de cópias no mundo todo em apenas um mês. Eventualmente estima-se que o single “Take on Me” vendeu entre 6 e 7 milhões de cópias no mundo afora; chegou a ser número um na Billboard Hot 100 dos EUA e segunda colocada na parada musical da Grã-Bretanha.  As vendas da canção nos Estados Unidos foram alavancadas pelo videoclipe exibido na recém-criada Music Television (MTV) que imitou as cenas climáticas do filme, Altered States, de Ken Russell. Foi utilizada no vídeo uma combinação de esboço de animação conhecida como “rotoscopia” (na qual o vídeo é primeiramente filmado e depois, cada quadro é desenhado a mão para dar o efeito de desenho animado). Em 1986, o videoclipe venceu em seis categorias no MTV Video Music Awards, sendo ainda indicado para o American Music Awards como Melhor Vídeo do Ano.

Apesar do surpreendente sucesso inicial da banda (ela chegou a ser indicada ao Grammy na categoria de revelação, embora tenha perdido paraa cantora Sade), ”The Sun Always Shines on TV” (16/12/1985) foi o último single de A-HA a figurar no Top 40 da revista da Billbord, e a partir deste dia A-HA é frequentemente (e de forma incorreta) lembrado nos Estados Unidos como uma “banda de uma canção só”. No Brasil, apesar de continuar tendo fãs ardorosos, parece que a gravadora do grupo não tem se interessado em divulgar os novos trabalhos dos cinquentões (sim, por incrível que pareça, eles conseguiram sobreviver até o presente momento, ao contrário de muitas outras bandas da década de 1980) em terras tupiniquins.  Em Março de 2009 o A-HA retornou à América do Sul, para dois shows no Brasil e um no Chile. A banda lançou, no dia 24 de Abril um novo single, intitulado ”Foot of the Mountain”, o primeiro do novo álbum Foot of the Mountain,  lançado em Junho de 2009, e que simplesmente, para a decepção dos fãs, não foi lançado no Brasil. Ou seja, os fãs brasileiros tiveram de importâ-lo. Hoje possuir esse cd no Brasil é ter em mãos uma relíquia.

O som de A-HA continua ecoando no século XXI. Para as novas gerações, “Take On Me” volta as paradas de sucesso com os Jonas Brothers. Sim, os cantores teen estão se especializando em re-utilizar sons/imagens/filmes/música de artistas consagrados como Elvis Presley, The Beatles (e agora A-HA), lançando antigos sucessos, sob uma nova embalagem comercial. Já presente em apresentações televisivas e em shows, falta agora apenas os meninos criarem um videoclipe tão revolucionário como o A-HA conseguira criar em 1985. Será que eles conseguem? Pouco provável, já que o sucesso do grupo está calcado no modelo pré-fabricado da indústria cultural de massas e não na criatividade. Bom, mas se eles conseguirem, todos saem ganhando, não é mesmo? 

 

Mas voltando a experiência do meeting. Mesmo não sendo um fã de carteirinha decidi acompanhar a minha amiga, para conhecer novas pessoas (sim havia jovens também!) e trocar experiências sobre o significado de ser fã de um artista. Valeu muito a pena, pois conheci um universo diferente e interessante. Em primeiro lugar o ídolo deles era diferente dos meus. Ac0stumado a ser fã de Elvis Presley, The Beatles, Michael Jackson, Madonna, Britney Spears, entre outros, que não somente foram/são reconhecidos pelo seu talento, mas que a indústria cultural de massas adora investir (são, indiscutívelmente, os nomes mais rentáveis do showbiz), nunca tive o problema de ver os meus ídolos sem divulgação no Brasil, ou terem um público restrito. Tudo o que eles fizeram/fazem torna-se um evento mundial, divulgado amplamente.

Primeiro Meeting da Comunidade A-HA em São Paulo

Primeiro Meeting da Comunidade A-HA em São Paulo

Primeiro Meeting da Comunidade A-HA em São Paulo

Primeiro Meeting da Comunidade A-HA em São Paulo

Neste sentido, foi muito gratificante ver o amor, a fidelidade e o engajamento destas pessoas ao seu ídolo. O engajamento está presente de diversas formas: criação de várias comunidades na internet, troca de informações, divulgação de materiais, petições para a MTV e outros canais de televisão e estações de rádios para tocarem as novas músicas e antigos sucessos da banda, realização de encontros, etc. Por vezes, isso demonstra que os fãs brasileiros fazem muito mais do que seria o próprio trabalho das gravadoras. E a única coisa que pedem em retribuição não é um valor financeiro, mas sim a oportunidade de estarem mais próximo de seus ídolos. Parabéns a comunidade A-HA no Brasil!!! 

Os sortudos ganhadores das camisetas do grupo A-HA

Os sortudos ganhadores das camisetas do grupo A-HA

 

 

UM INESPERADO PRESENTE DE DIAS DAS CRIANÇAS: A CANÇÃO “THIS IS IT”

Posted Outubro 12, 2009 by Wagner Pinheiro Pereira
Categories: Cinema, Música, Shows

12 de Outubro de 2009: para os religiosos, Dia de Nossa Senhora Aparecida, e para as crianças, o comércio e a indústria, Dias das Crianças. Embora já tenha passado há muito tempo da tenra idade, acabei de ser supreendido ao ganhar um lindo presente: Ao abrir o site do UOL a notícia “‘This Is It’, música inédita de Michael Jackson, é lançada no site do cantor, ouça”. Pouco se sabe sobre a música e a decisão de lançamento, antes do filme documentário “Michael Jackson’s This Is It” (dir. Kenny Ortega, 2009), que estréia mundialmente no dia 28 de outubro de 2009.

Abaixo reproduzo na íntegra o texto do UOL, retirado da BBC News:

Uma nova canção de Michael Jackson foi lançada nesta segunda-feira (12) no site do cantor. Intitulada “This Is It”, em alusão à série de shows em Londres que encerraria a carreira de Jackson, a canção foi disponibilizada à 1h (horário de Brasília), com poucos detalhes.

Não foi informado quando a faixa foi escrita e gravada, nem quem trabalhou nela. Além disso, irmãos de Jackson fazem backing vocals, mas não se sabe se a participação foi gravada antes ou depois da morte do astro pop, em junho.

O astro vinha trabalhando com artistas como Akon e Will.i.am nos meses anteriores ao seu falecimento.

Um porta-voz do site oficial de Michael Jackson afirmou que a canção será distribuída entre rádios e outros veículos de mídia nesta segunda-feira, e será a única faixa original de um CD duplo a ser lançado no dia 26 de outubro.

Filme
Acredita-se que esta é a primeira de uma série de novas canções de Jackson que a família do cantor deve lançar para levantar recursos e saldar as dívidas do astro.

Segundo o repórter da BBC em Los Angeles, Peter Bowes, outra fonte de recursos será um filme, também intitulado “This Is It”, feito a partir da gravação de ensaios para os concertos em Londres. A filmagem deve chegar aos cinemas no dia 28 deste mês.

O repórter disse ter recebido informações de que o dinheiro proveniente da canção, do filme e de publicidade será suficiente para amortizar as dívidas de Jackson. O restante iria para a mãe de Jackson e seus três filhos.

A gravadora de Jackson declinou pedidos iniciais de mais detalhes a respeito desses trabalhos.

Ao contrário do que a gravadora Sony está divulgando, a música não é recente. ele fora composta por Michael Jackson e gravada em sua versão demo para o álbum Triumph (1980), do The Jackson, por isso a voz de Michael Jackson está levemente mais jovial e seus irmãos fazem os backing vocals (desde a década de 198o que eles não trabalhavam mais juntos, fazendo uma última apresentação conjunta em 2001). A música acabou sendo excluída da seleção do repertório final do álbum e foi recuperada em 1991, quando Michael Jackson a entregou para a cantora Safire, que a gravou em seu álbum I Wasn’t Born Yesterday. De qualquer forma, isso não invalida a importância da música, apesar de imaginar que perfeccionista como era, Michael Jackson jamais permitiria o lançamento desta versão demo. Alguns acreditam que ele a usaria como música de encerramento de sua turnê. O tom de despedida pe muito acentuado. Parece ser uma música premonitória, em que Michael Jackson teria imaginado que esta gravação seria recuperada postumamente e simbolizaria o encerramento de sua carreira. Não sei de quem foi a sábia e generosa (ao menos para os fãs, já que muito vai ser lucrado com isso) decisão, mas esta música ganhou um significado ainda mais especial: Além de tratar-se de uma música inédita oficialmente, tema do que seria o último show da carreira do cantor, lançada postumamente, estréia agora nas “paradas de sucesso” do mundo inteiro no dia das crianças, o público predileto e para o qual o cantor dedicou a sua vida/carreira (e infelizmente foi tão apedrejado por isso). Como o dia é religioso, vou acreditar que trata-se de um milagre!  Por isso, entre lágrimas de emoção e sorrisos só tenho a agradecer a Michael Jackson, que, lá do céu, nos mandou mais este lindo presente e me fez relembrar como a minha infância e adolescência, marcadas e embaladas por suas músicas e videoclipes, realmente foram ”anos incríveis” em minha vida. 

Michael Jackson nos ensaios para a turnê em Londres. Cenas do filme documentário "Michael Jackson's This Is It" (dir. Kenny Ortega, EUA, 2009)

Michael Jackson nos ensaios para a turnê em Londres. Cenas do filme documentário "Michael Jackson's This Is It" (dir. Kenny Ortega, EUA, 2009)

HOMENAGEM AO ANIVERSÁRIO DE MICHAEL JACKSON

Posted Outubro 12, 2009 by Wagner Pinheiro Pereira
Categories: Homenagem, Música

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Michael Jackson, você esteve presente na minha infância, desde que eu comecei a aprender o “ABC”. Na data comemorativa do seu aniversário, “I Want You Back”, pois para você, eu “Never Can Say Goodbye”. Você foi uma “Dancing Machine” única, capaz de deixar “Blood On The Dance Floor”, sem a qual “Ain’t No Sunshine”. Você soube mostrar amor pelo seu próximo, desde as crianças doentes e pobres, aos ratinhos de estimação, como “Ben”. “Can You Feel It”?, perguntava você. Sim, sua música é tão impactante que é impossível não ser contagiado pelo “State of Schock”. Muito mais do que sua música, videoclipes, performances na tv e cinema, você nos ensinou a: “Don’t Stop’Til You Get Enough”. E nós “Rock with You”, mesmo “Working Day and Night”.
Sua “Human Nature” nos levou a uma jornada “Thriller”, repleta de muita batida de “Beat It”. Sim, muitos queriam ser o seu filho “Billie Jean”. “Say Say Say”: como poderia você ser “Bad”, se “The Way You Make Me Feel” é tão bom. Ao tentar dançar e cantar como você, me pego olhando para este “Man In The Mirror” e parece que você é “Another Part of Me”. Por isso, mesmo quando a mídia lhe atacou injustamente, o que lhe fez pedir “Leave Me Alone”, todos os fãs se uniram e ecoaram um “Scream” de “I Just Can’t Stop Loving You”. Michael, “Remember the Time”, quando numa situação “Dangerous”, você não teve medo de levar a sua mensagem de paz, tolerância e fraternidade, não fazendo distinção entre “Black or White”. Com sua música, você tentou “Heal The World” e nos indagou: “Wil You Be There”? Mais uma vez procuramos mostrar-lhe que “You Are Not Alone”. Seu espírito de luta foi “Unbreakable” e sua genialidade e criatividade “Invencible(s)”. Michael Jackson,”You Rock My World”. Sua missão foi cumprida magistralmente. Você fez a “History”. “What More Can I Give”, concluiu você, antes de partir Por tudo isso, eu “Cry” e não me conformo que você tenha “Gone Too Soon”.

HOMENAGEM EM MEMÓRIA A MICHAEL JACKSON

Posted Outubro 12, 2009 by Wagner Pinheiro Pereira
Categories: Cinema, História, Homenagem, Música, Televisão

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MICHAEL JACKSON, O REI DO POP, ENTROU PARA A IMORTALIDADE.
Apesar de difícil aceitar esta notícia trágica, devemos vê-la sob o prisma da filosofia oriental: agora ele estará num lugar lindo e digno, juntando-se a outras figuras brilhantes da música como Elvis Presley, John Lennon, Jim Morrison, Freddie Mercury, Frank Sinatra, entre outros, e não mais vivendo num mundo que não sabia reconhecer o seu valor.
A realidade é triste demais, pois Michael Jackson é mais do que o ídolo de uma geração, ele é um ícone, uma lenda, um mito, um gênio criativo, capaz de iluminar as trevas do nosso tempo tão carente de grandes personalidades.
Indubitavelmente, Michael Jackson estará eternizado na memória de todos os seus fãs e deixa um legado inigualável na História da cultura mundial. Michael Jackson é a síntese de um artista completo: O mais dinâmico artista e show-man. O maior dançarino de todos os tempos. Um cantor e compositor grandioso e inspirador, que espalhava (e continuará espalhando, pois a sua obra e legado serão eternos e imortais) alegria e esperança, ao mesmo tempo em que combatia a intolerância e o preconceito. Ator cativante. Produtor brilhante e criativo. O Pai do videoclipe e da estética videoclíptica da cultura pop. O cantor com o disco e fita de video mais vendidos da História. O “Elvis Presley” de nossa geração. E, acima de tudo, uma pessoa humanitária e engajada com as causas sociais.
Michael Jackson, muito obrigado por ensinar-me a dançar o moonwalk, em fazer-me acreditar nos meus sonhos, na mágica que torna o impossível em possível e por servir de exemplo de talento, de mais alto nível de busca pela perfeição, genialidade e criatividade.
Esta singela homenagem é prestada pelo seu fã incondicional, que acompanha a sua carreira desde os 5 anos de idade, e pelo historiador da cultura audiovisual que há muito tempo tem procurado registrar a sua importância na história da cultura contemporânea mundial.
MICHAEL JACKSON SERÁ SEMPRE O REI DO POP. E somente agora, com a sua partida, é que todos começarão a perceber isso.

HELLO POST-MODERN WORLD!: O HISTORIADOR E A CULTURA AUDIOVISUAL

Posted Outubro 12, 2009 by Wagner Pinheiro Pereira
Categories: Artes/Cultura, Cinema, História, Música, Televisão

A pós-modernidade e as diversas mídias possibilitam aos indivíduos ampliar os canais de contato (mesmo que virtuais), disseminar idéias com rapidez e amplitude e ainda atingir um grau de interatividade, capaz de retirar as pessoas da clássica posição passiva de simples receptores para membros ativos da cultura de massas, elementos estes inimaginavéis há alguns anos atrás. Vivendo num mundo dominado e intermediado pela avalanche de imagens e informações, finalmente fui levado a criar um blog para também poder expor minhas idéias, pensamentos e reflexões, que, até então, estavam sendo compartilhados de forma mais restrita com amigos, ex-alunos, colegas de profissão, ou leitores dos meus trabalhos acadêmicos.

Neste blog pretendo realizar reflexões históricas sobre o universo da cultura audiovisual, privilegiando os diálogos entre o cinema, a televisão e a música, para melhor compreender os temas e dilemas candentes do mundo contemporâneo. Curiosamente, foi um acontecimento recente – mas já “histórico” – que me fez extrapolar os portões do mundo acadêmico e apresentar as minhas reflexões na internet: a morte do “Rei do Pop” Michael Jackson, em 25 de junho de 2009. Embora seja um fã de carteirinha do astro pop desde a tenra idade (5 anos), sempre soube separar este lado quando eu, enquanto historiador da cultura audiovisual, discutia o tema da indústria cultural e a comunicação de massas (em textos, palestras e mini-cursos). Ou seja, no lado profissional, sempre procurei destacar e resgatar as figuras “geniais” ignoradas pela avalanche do esquecimento da História. Michael Jackson era um caso exemplar. Ele criou e desenvolveu a estética do videoclipe, ultrapassou todos os recordes de vendagens e inovou numa série de áreas da indústria cultural pop. No entanto, para a jovem geração, ele era simplesmente uma  figura esquisita e excentrica. Fiquei espantado muitas vezes ao descobrir que a maioria dos jovens nunca haviam visto o videoclipe “Thriller”. 

Com a morte de Michael Jackson tudo isso mudou rapidamente: ele tornou-se a figura central da mídia, seus feitos foram creditados e ressaltados, e postumamente ele já voltou a bater todos os recordes, ainda melhores do que conseguira em vida (“feitos” que só Elvis Presley e John Lennon conseguiram anteriormente). A sua morte criou um showneral (funeral espetáculo) e em toda a parte do mundo, os fãs choraram e celebraram a vida e obra do cantor de uma forma inimaginável: cantando, dançando e tentando imitar o famoso Moonwalk.

Fãs fazem as coreografias de Michael Jackson

Fãs fazem as coreografias de Michael Jackson

Fãs fazem as coreografias de Michael Jackson

Fãs fazem as coreografias de Michael Jackson

Homenagem a Michael Jackson na calçada da fama

Homenagem a Michael Jackson na calçada da fama

 Recordei tudo isso para dizer-lhes que o mais importante para o pesquisador da cultura audiovisual é saber olhar adiante, vislumbrar a genialidade nas personagens que o presente histórico apontam como “loucos”. Afinal, não devemos nos esquecer que o julgamento da História sempre pode mudar, de acordo com os acontecimentos históricos mais recentes. Dessa forma, como já costumava fazer em meus trabalhos acadêmicos, palestras e aulas, o blog terá um perfil interdisciplinar e discutirá temas e fontes geralmente ignorados pelos intelectuais acadêmicos. Este, portanto, será o diferencial das abordagens analíticas. Pelo valor histórico (ao menos para mim) dos dois textos de homenagem que escrevi para Michael Jackson no dia de sua morte (25 de junho de 2009) e no da data de seu nascimento (29 de agosto), publicados no Orkut, os dois posts seguintes serão textos muitos pessoais, carregados de emoção. Os textos posteriores a estes terão, assim, um caráter diferencial, mais reflexivos e racionais (embora eu considere que a emoção nunca deva ser colocada de lado, afinal somos todos humanos). Dito isso, sejam todos bem-vindos e espero que as leituras dos meus textos sejam enriquecedoras para todos.